quarta-feira, 30 de junho de 2010

E se afinal Deus não existe?

Se esta pergunta não foi colocada pelo menos um milhão de vezes por cada crente, andará seguramente lá perto.
Do mesmo modo, tenho a certeza que cada ateu já se perguntou pelo menos 2 milhões de vezes ao longo da sua vida: e se afinal Deus existe?

Vou contar-te um segredo.
À luz da ciência moderna, o que te parece mais razoável, acreditar ou negar Deus?
Poderás por ventura pensar que face às grandes descobertas científicas, ao modo como o homem se conseguiu tornar o centro da suas próprias vidas e ao modo como consegue responder às suas dúvidas (pelo menos a grande parte delas) sem recorrer a milgres e a divindades, que será mais óbvio negar Deus do que acreditar.
Eis o segredo: é preciso muito mais fé para negar Deus do que para acreditar.
Repara, primeiro é preciso ignorar um aspecto intriseco ao homem, a necessidade de transcendência. A religião organizada é relativamente recente atentendo à idade da humanidade. Mas os relatos empíricos mostram-nos que sempre onde existiu um homem, existiu um culto à divindade, ao transcendente.
Segundo, é preciso ignorar a origem. Dito de outra forma é preciso ter uma fé irracional na ciência. Isto é, de acordo com o paradigma científico actual, sabe-se que o vácuo nada gera. A lei de Laviosier mantém-se actual: nada se ganha, nada se perde, tudo se transforma. Do nada não pode surgir algo. Logo, para negar Deus é preciso negar a própria ciência, Pois, de onde veio toda a matéria? O que deu inicio ao bigbang? Para negar Deus seria necessário provar-se a autogenese, acreditar na autogenese, e para acreditar na autogenese é preciso negar a ciência. Logo, deduz-se que se não existe autogenese, é imperativo que exista um criador. E é obvio que não é possível acreditar num criador de matéria, sem admitir a sua transcendência, poder e inteligência.
Terceiro, é preciso ignorar as milhões de histórias pessoais de indivíduos que conhecem e conheceram Deus, já para não falar de actos milagrosos. Acreditar que existem e existiram biliões e biliões de pessoas que vivem e viveram enganadas (digo viveram enganadas, e não que tiveram conhecimentos errados, pois até hoje o nosso conhecimento é limitado. Qualquer historiador pode afirmar com toda a certeza que o nosso conhecimento se tornará em breve obsoleto). É preciso ignorar o poder da oração.

Portanto, reforço, é preciso mais fé para negar a existência de Deus do que para acreditar.
Mas este discurso é absolutamente infértil. Não passa de conversa, conversa intelectual e pouco acrescenta à minha vida. O mundo está cheio de pessoas que se renderam a esta evidência. Existe um criador, mas não acreditam na religião.
Não posso condená-los. Talvez apenas recriminá-los por nem sequer tentarem. Talvez apenas recriminar-me por não lhes conseguir mostrar como a minha vida é diferente, com muuuuuuito sabor, por ter fé.

Mas adiante. Passando as questões científicas.
E se Deus não existisse?
Para muitos a questão primordial seria não existir condenação eterna, não existir inferno. Se não há repercussões dos meus actos, desde que me vá conseguindo safar por cá...
Para outros seria não existir recompensa, não existir paraíso. Para quê esforçar-me para ser uma boa pessoa se depois não terei a vida eterna?
Para alguns seria não ter aquele amigo sempre presente. E quem é que ficará sempre comigo quando estou em baixo?
Para estes seria um alívio. Acabou-se o radicalismo, a crendice, a estupidez, a carneirada.
Para aqueles seria indiferente. Nunca fui muito ligado a essas coisas.
Para aqueloutros seria não existir respostas para as questões existenciais: quem sou eu, o que faço aqui, para onde vou.

E para mim?
Se Deus não existisse seria o fim do mundo, o inferno, o desespero.
Como é que posso ser tão trágico?
É simples.
Tenta imaginar um mundo sem amor.

É assim que seria um mundo sem Deus.

quinta-feira, 20 de maio de 2010

A relatividade das coisas

Já alguma vez paraste para pensar nalguma das teorias da relatividade do Einstein?
Eu já! E o mais engraçado é que para mim, a relatividade não é um teoria, mas sim um facto. A teoria está na forma como Einstein a pensou. Isto é: as teorias pretendem quantificar algo que para nós é, na sua maioria, visível a olho nu. Mas para essa quantificação ele teve que tomar como alicerces, hipóteses à data impossíveis de verificar, embora verosímeis, por exemplo, a supremacia da velocidade da luz no vácuo. Daí apenas ser uma teoria.
Então porque digo que a relatividade é um facto? Porque não estou a falar da teoria mas apenas do conceito. A relatividade é subjectiva e, acima disso, dialéctica. É tão verdadeira e real, tão entranhada no nosso espírito, que muitas vezes me esqueço dela, principalmente contando com quanto me poderia ser útil.

Estava no meu 7º ou 8º ano da escola quando descobri a relatividade. Pensava em voz alta com uns amigos: ''já viram como estes prédios são grandes? Ao pé deles somos, de facto, pequenos. Mas se virmos bem, deve ser exactamente o que uma formiga pensa de nós...''
Na altura senti um frémito de como quem descobriu algum coisa. Não é que me tenha servido de alguma coisa, mas fiquei contente por dar uso à razão. É engraçado raciocinar sobre um assunto que nunca pensámos e chegarmos a algumas conclusões que não conhecíamos.
Mas estou para aqui a divagar. Aquilo que me importa falar sobre a relatividade é como ela me pode tornar uma pessoa melhor.

Primeiro, alguns esclarecimentos.
A relatividade é subjectiva. Como depende da observação, ou em última instância, da imaginação, cada cenário é único para quem observa. Com os meus olhos, a minha educação e os meus preconceitos, relativizo (ou não, que ainda é pior) as coisas à minha maneira.
A relatividade é dialética. Só existe relatividade quando eu consigo discernir ou simplesmente divagar sobre o assunto. Ou seja, quando da observação resulta um conjunto de deduções ou induções para chegar a uma conclusão. Se da observação resulta uma conclusão, estamos na àrea do absolutismo, do preconceito.
Finalmente, tudo será relativo? Já tive algumas conversas de ocasião sobre este assunto. Há quem diga que sim, que nada há neste universo que não seja relativo, pois tudo pode ser relativizado à luz de algo.
Para mim este pensamento é estranho. pois se não existem valores ou ideiais absolutos, comparamos o quê com quê? Claro que na relativização temos que encontrar âncoras a partir das quais comparamos e relativizamos o que pretendemos (como nós os economistas gostamos de chamar et ceteris paribus - e tudo o resto constante). Mas se em momento algum existe um ponto de partida que seja imutável, como posso garantir que a âncora é válida. Aquela âncora já pode ser fruto de um preconceito tal, que nem sequer é aceite pacificamente como âncora por todos.
Enfim, quase tudo pode ser relativizado, mas sem a certeza de algo absoluto na minha vida, corro o risco de não saber para onde devo caminhar.

Referi atrás que acho que a relativização pode e deve servir para me tornar um pessoa melhor, mais conscienciosa do que me rodeia. Mas não basta relativizar, há que fazê-lo (perdoa-me mas tenho que usar dois palavrões) de forma holística e fazendo uso da hermenêutica diatópica. Traduzindo por míudos quer dizer, primeiro, que não devemos tirar conclusões somente com base numa acção, mas sim atender ao todo que conhecemos e ao que podemos desconhecer daquela pessoa; segundo, não olhar para aquela acção somente com os nossos olhos, mas fazer um esforço para conseguir ver com os olhos da pessoa que a realizou.
Por exemplo:
- Facto observado: A pessoa X a bater com um pau na pessoa Y.
Uma conclusão imediata após a observação, levar-me-ia a dizer que a pessoa X quer mal à pessoa Y. Mas se tiver o cuidado de relativizar a acção, surgem uma infinidade de conclusões possíveis:
- O Y é um bandido. O Y magoou o X e este está a defender-se;
- São grandes amigos. Não se trata de um pau, mas de uma brincadeira de carnaval;
- Acidente. O X não viu o Y e acertou-lhe sem querer.
Mas mesmo dentro da conclusão mais verosímil, que o X está a reagir a algo pelo que o Y é responsável, existem muitas possibilidades:
- O X está a reagir mas porque foi induzido em erro, o Y não fez nada;
- O Y portou-se mal e o X está a dar-lhe uma lição, não é um pau é uma régua de madeira...
- O X foi durante muito tempo manietado pelo Y e agora, finalmente, conseguiu libertar-se;
- O Y fez de facto uma maldade, mas foi sem querer, está arrependido e nem sequer se defende;
- ...
Acho que já percebeste onde quero chegar. No fundo estou apenas a apontar razões para evitar um grande flagelo da nossa sociedade: a crítica; o apontar o dedo, o preconceito.
Quem sou eu para criticar algo que desconheço?

Termino com um alerta. Estou convencido que a relatividade pura é um mal da nossa sociedade. Mas se for temperada com valores absolutos como o Bem, a Beleza, o Amor e a Paz, a partir dos quais relativizamos o resto, então é uma ferramenta fundamental para me tornar uma pessoa melhor.

terça-feira, 18 de maio de 2010

Sobre o amor

Muito tenho falado aqui sobre o amor.
Talvez seja altura explicar o que ele é. Pelo menos para mim, e na forma como o tenho empregue neste blogue.

Amar é importar-me com alguém um pouco mais que me importo comigo.
É preocupar-me com a felicidade de alguém um pouco mais que me preocupo com a minha.
É desejar melhor para alguém que quero para mim.

Mas amar é, acima de tudo, agir, ser, fazer, conseguir que tudo isso aconteça, independentemente das consequências.

A Excepção

Não deves encarar a excepção que referi no último post, como uma excepção na total acepção do termo. Embora, na teoria divirja do "amar porque sim".
Estou a falar do namoro e, em sequência, do casamento.
A atitude deve ser a mesma que referi anteriormente, agir sem querer nada em troca, sem esperar retorno, desejar e fazer tudo para que a outra pessoa seja feliz.
Mas na teoria, não deves ter receio de esperar que o outro faça o mesmo. Pois se não o fizer, espero que a paixão não te turve os olhos durante demasiado tempo para saberes que te vais magoar. Por isso, o namoro serve para experimentar se um casal está em sintonia neste aspecto, se estão a caminhar lado a lado, ou se procuram ir de encontro um ao outro e vivem às turras, ou se divergem no caminho e se separam.
Mas esta excepção é mais que necessária: é fundamental. O que à primeira vista pode parecer uma falha na demagogia - só desejo que sejas feliz, desde que desejes o mesmo para mim - é na realidade o mais importante de uma relação e que é demasiadas vezes ignorada.
Senão vê por mim: eu espero sempre o melhor de mim e sou muito exigente nesta matéria do amor. Espero sempre de mim um amor incondicional. Espero que a minha coragem não falhe, que a minha humildade permaneça... Será racional não esperar o mesmo da outra parte de mim?
Se eu e o outro somos um, então temos que encarar a relação do mesmo modo. Devo desejar ser amado da mesma forma que eu amo: sem pensar em mim.
Passe o paradoxo!

sábado, 1 de maio de 2010

Amo porque sim - uma explicação

Quem é que normalmente utiliza a expressão "porque sim"?
As crianças, claro! Eu próprio a utilizei vezes sem conta na minha infância. Demonstra precisamente que nem todas as acções carecem de explicação.
É este o espírito que considero que deve comandar todos os gestos de amor. Não preciso de uma causa ou incentivo. Não preciso esperar nada em troca para amar alguém (salvo uma única excepção - vê o próximo post). Mas esta frase compreende mais que isto. Indo ao encontro do verdadeiro espírito de caridade, reflecte sobretudo o carácter imperativo do amor: tenho que amar. Porque tem de ser, mesmo que eu não queira, me apeteça ou custe. Ai de mim se não amar!

Se não preciso de um motivo ou momento, então, amo porque sim!

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Sobre a perfeição

É normal dizer-se que o Homem é imperfeito.

Eu gostava de partilhar esta opinião para poder, com ela, justificar todos os males do mundo, (não é culpa minha, Deus é que me criou imperfeito!) mas não consigo. Pois se acreditasse nela, estaria a contradizer imediatamente o primeiro capítulo dos Génesis que relata que após ter criado o homem e a mulher, Deus viu que tudo era muito bom e então descansou. Mas não ficou por aí, não só nos criou perfeitos, tal como toda a Natureza, como também nos criou especiais: à Sua imagem e semelhança.

Neste parágrafo saltam-me à vista pelo menos 3 assuntos interessantíssimos, cada um deles merecedor de especial atenção. A saber:

- Deus descansou? Caramba, afinal Deus também se cansa!

- Somos à imagem e semelhança de Deus.

- e, claro, “Deus viu que tudo era muito bom” - que é precisamente o objecto desta reflexão.

É possível admitir que Deus tenha criado algo imperfeito? Não. Ponto final. Ele que é perfeito simplesmente não pode criar nada imperfeito. E para não haver dúvidas, diz ainda, que somos à Sua imagem e semelhança. Como podermos afinal ser imperfeitos?

E tu estás a pensar: “Ricardo, quer então dizer que o mundo em que vivemos é perfeito? Mas e todas as guerras, todas as maldades, todas as mortes? E todo o sofrimento? Como é que isso pode ser perfeito?”

Oh como eu te percebo! Quantas vezes já me fizeram essa mesma pergunta. E a resposta é grosseiramente simples: porque não estás a ver com os olhos de Deus.

E tu certamente replicarás: “Então onde é que Deus vê a perfeição numa criança que morre de fome, por exemplo?”

Espera, eu sei que não respondi à tua pergunta de forma a perceberes. Mas não é por não perceberes uma coisa que me vou impedir de ta dizer. Prefiro depois explicar-te.

Julgo que deve haver uma associação inconsciente entre perfeição e felicidade e entre dor e imperfeição. Mas que são mutuamente exclusivos. Isto é, se existe dor, não pode existir perfeição, logo, também não pode existir felicidade.

Se é assim que tu pensas, é lógico que não consegues ver a perfeição que existe no mundo e, sobretudo, no homem. Mas não é assim que as coisas verdadeiramente são.

E tu estás a perguntar-te:

- “Mas tu consegues ver a perfeição no homem?”

- Consigo!

- “Como humanidade ou individualmente?”

- Em ambos

- “Então também te julgas perfeito?”

- Claro! O que não sou é santo, porque sou pecador.

- “Espera, mas isso não faz sentido. És perfeito e pecador ao mesmo tempo?”

- Mais ou menos. Diria que o pecado é condição intrínseca à perfeição.

Se calhar, tu que és católico, certamente já te perguntaste porque teve Cristo que sofrer tanto para morrer, se o importante foi a ressurreição? Possivelmente não encontraste nenhuma resposta. Mas uma coisa te garanto, Ele teve mesmo que sofrer, e muito, antes de morrer. Não te vou explicar aqui o porquê, mas acredita que Ele teve que sofrer para que dali resultasse uma grande dádiva: a remissão de todos os pecados.

Eu sei que isto parece, à primeira vista, muito teológico, mas creio que aceitas que desse sofrimento veio algo infinitamente melhor, a vida eterna. Ou que, de uma forma generalizada, o homem tem a capacidade de se superar nos momentos de catástrofe e transformá-los em oportunidades.

Olhando de uma perspectiva inversa, penso que a grande maioria de nós admite que, mesmo aquelas pessoas que aparentam ter tudo, passam por desilusões, desânimos, angústia, stress. Acabam por ter maior dificuldade em inventar novos objectivos na vida por que lutar e, quando não conseguem, desistem de viver.

Isto só para dizer que, nem o sofrimento é o fim, nem o bem-estar é a meta. Não é por ver uma criança bem nutrida que vou acreditar que ela é feliz, nem por ver uma criança com algumas carências que vou julgá-la infeliz.

Postas todas estas considerações, passarei a explicar como percebi que afinal o mundo é perfeito.

Primeiro, é-me impossível discordar da bíblia. Logo, se a bíblia me ensina algo contrário aquilo que vejo, só posso concluir que o que vejo é limitado ou, na pior das hipóteses, que tenho as minhas ideias baralhadas e ao ver uma coisa boa julgo-a má e vice-versa.

Segundo, ao estudar a resposta do nosso planeta às alterações climáticas, finalmente compreendi o equilíbrio que existe na bioesfera (que é muito mais do que simplesmente saber que existe esse equilíbrio) Tudo foi criado para persistir num equilíbrio. Por exemplo, a terra encontrará maneira de se equilibrar se a temperatura da terra continuar a aumentar. Os calotes polares derreterão, as correntes marítimas serão alteradas, o nível das águas subirá e provocará catástrofes atrás de catástrofes até eliminar toda a fonte de poluição. Como se a terra se sacudisse até que paremos de a magoar. Outro exemplo, que me fez pensar foi o surgimento de novas doenças. É natural que todos os seres vivos morram ocasionalmente de doenças ou outras causas ambientais. Conseguindo o homem debelar grande parte de algumas enfermidades por via da medicina, a análise empírica mostra-nos que a natureza encontra formas de nos manietar com novas doenças.

Estes exemplos são talvez estranhos, mas foram eles que me fizeram pensar que tudo existe está de tal forma entrelaçada e equilibrada, de facto, de modo perfeito.

No que respeita ao homem, a perfeição é um pouco mais complexa, mas tem que ser entendida de forma dinâmica. Isto é, não existe uma perfeição estática. Se entendermos que o pecado é o afastamento de Deus, e que Deus nos criou livres de nos afastarmos ou não Dele, fica claro que o plano de Deus não foi criar um conjunto de seres que nunca Lhe desobedecessem. Antes pelo contrário, foi criar um ser de tal forma livre, cujo caminho pudesse decidir por si próprio. Portanto, se o afastamento – o pecado – e tudo o que dele resulta (que é o sofrimento), foi previsto a quando da nossa criação, é claro que mesmo sofrendo, enquanto mantivermos a capacidade de nos levantarmos das quedas, ou sobretudo, de darmos a mão a quem caiu, permaneceremos perfeitos aos olhos de Deus.

A grande questão, quanto a mim, não é saber se somos perfeitos ou não. Mas se somos santos. É tirar o enfoque daquilo que é a nossa natureza e colocá-lo naquilo que são as nossas decisões e atitudes. Ou seja, se utilizamos a nossa perfeição para sê-lo verdadeiramente.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

A morte de Deus

Considero-me uma pessoa mentalmente estável com um grau de perspicácia e inteligência razoáveis. Acredito em Deus. Serão coisas incompatíveis, a inteligência e a crença em Deus?
Estou convencido que sim olhando a comentários mordazes de mentes postulantes à do mui digno e respeitável José Saramago, entre outros.
Carl Marx foi um visionário, percebeu antes de muitos que a religião é apenas fruto da necessidade do homem obter respostas perante o desconhecido. O seu famoso "a religião é o ópio do povo" (perdoem-me se a memória me falha, mas acho que não estou enganado quanto ao autor desta célebre expressão) é espectacularmente retratante desta verdade. Perante a opressão, o povo tenta alienar-se do sofrimento através da religião.
Portanto, se a religião serve para me dar respostas face ao desconhecido e para acalentar a minha mente em contextos de dor, perante a cavalgada fulgurante da ciência moderna, Deus tornou-se obsoleto. As drogas livram-nos do sofrimento e as teorias e experimentações científicas respondem-nos ou responder-nos-ão a todas as dúvidas, mais tarde ou mais cedo.
Pior, olhando para a actualidade e para o passado, Deus foi e continua a ser o maior dos pretextos para as guerras e mortandades. Veja-se as cruzadas, a expansão Islâmica, a Inquisição e, mais recentemente, o terrorismo da Jihad Islâmica. Portanto, mesmo que Ele exista, é bom que desapareça de vez. A morte de Deus seria um fenómeno muito apreciado por muitos. A libertação final do misticismo. A consagração do iluminismo.

Quero com isto dizer duas coisas:
- O nosso cérebro tende a ser selectivo na análise da realidade quando estamos condicionados a uma resposta. Isto é, quando estamos concentrados a tentar provar uma ideia, é perfeitamente normal sermos falaciosos porque esquecemos ou ocultamos os factos que contestam a nossa teoria e exageramos os factos que a atestam;
- as pessoas que verdadeiramente acreditam nisto, acham que fazem parte de um mundo vasto, mas não passam simplesmente de uma excepção, uma minoria, se considerarmos a totalidade da população mundial. Esquecem-se frequentemente que as maiores mentes da humanidade de sempre e da actualidade foram e são crentes.

De facto, não são os ateus que me tiram o sono. Conheço algumas pessoas que são capaz de negar o que têm em frente dos olhos, se isso for contra a imagem que fazem da humanidade (exemplo: Olha a generosidade daquele fulano? Qual quê, está a ver é se arranja um tacho!). Levam-se com paciência.
Aqueles que me preocupam são os agnósticos, os católicos não praticantes e a proliferação de seitas religiosas. Para mim, esses têm efectivamente o poder de matar Deus.
Porquê?
Porque qualquer um dos grupos que referi, insere-se em pelo menos uma de duas normas:
- acreditam em Deus porque sim, sem terem pensado muito nisso, nem se incomodarem com tal ideia, não se sentem impelidos a nada;
- rejeitam a radicalidade religiosa, preferem o meio termo, o foie gras de cada confissão, e criam uma imagem de Deus à sua medida e/ou interesse.

Estes sim, são verdadeiramente uma maioria e insistem na incompreensão.
Não posso falar por outras religiões que não seja a Católica apostólica romana, mas penso que qualquer religião tem um credo acabado, completo. Isto é, não permite liberdade que leve à contradição, nem sonegação de regras por conveniência. É essa totalidade de regras e crenças que constituem a doutrina. E cada religião tem apenas uma, a qual, com séculos de história é, à partida, imutável.

5 versões distintas de Deus, por vezes tão díspares (budistas, cristãos, hindus, judeus e muçulmanos), são mais que suficientes para abarcar o génio humano. Milhentas versões de Deus, têm o condão de confundir até os mais piedosos e associadas às falhas e fraquezas dos homens que constituem a Igreja, colaborar para uma visão verdadeiramente distorcida de Deus. Isto sim, metaforicamente falando, é a morte de Deus.




P.S.: Não pretendo gastar muito latim a rebater os argumentos que usei no início deste post. Seria uma brincadeira de crianças. Pode ser que queiras fazê-lo por mim e ser útil a algum leitor. Se não, fica para a próxima.

O maior dos segredos da Cristandade

Já a pensar na próxima edição do Gjornal, aqui vai a minha reflexão mensal:

A propósito deste tempo de advento gostaria de te transmitir o maior dos segredos da cristandade. O segredo que demorei 27 anos a descobrir, e agora, partilho contigo.

Um pouco de Teologia primeiro: Ouço muitas vezes pregões como “Deus está dentro de nós”. Parece que quando uma coisa é repetida muitas vezes passa a verdade. Mas, lida literalmente, esta frase é altamente herética. Remete-nos para uma heresia secular chamada Gnose. Em traços muito gerais, esta ideologia prevê que todo o conhecimento já está encerrado dentro de nós, uma vez que Deus deixou um pedacinho de Si em cada homem. É a busca desse conhecimento que nos leva à perfeição. Logo, deduzem-se duas conclusões:

a) a a) Se a divindade está literalmente dentro de mim, eu também faço parte de Deus e é em mim que se encerra todo o conhecimento;

b) b b) Para O encontrar, não preciso do outro. A finalidade da minha existência está em mim.

Então, parece-te herético ou não?

Se não, lanço-te uma questão: o que têm em comum todos os santos e santas da Igreja? Será o facto de passarem a vida inteira à procura de Deus, a olharem para o alto? Penso que não. Se são santos foi porque descobriram este segredo e, entendendo-o, se lhe dedicaram de corpo e alma. O mesmo segredo que encerra o Natal, o impensável para os Judeus e Muçulmanos?

Deus vem ao nosso encontro!

Deves estar a pensar. “Só isso? Deus vem ao nosso encontro? Mas isso não é segredo nenhum, já aprendi na catequese.”

Acredito que sim, mas se aprendeste isso na catequese porque continuas a procurar por Ele? Ou estou enganado? Se entendesses esta novidade, saberias que não são precisas demandas ou revelações para encontrar Deus. Na verdade, o acto de procurar Deus é sintomático de miopia ou cegueira. É como teres o tesouro à tua frente e ainda estares a tentar decifrar o mapa. Se é o próprio Deus vem ter contigo, que mais precisas para o encontrar? Saber reconhecê-Lo, diria eu. É por isso que esta é uma passagem central dos evangelhos: Mt 25, 31-46. Só assim é que deixamos Deus fazer parte da nossa vida. Deus está onde existir um gesto de amor e o verdadeiro amor leva-nos à negação de nós mesmos na dádiva ao outro. E só dando a quem nada tem é que podemos ansiar por nada receber em troca.

É como diz a canção: “Se eu penso mim, tu ficas só…”

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

O paradoxo de Deus

Já tenho tido muitos debates e conversas sobre Deus com pessoas que em nada compartilham as minhas crenças. Algumas simplesmente estão curiosas, outras procuram o absurdo. Numa dessas conversas alguém me fez uma pergunta retórica, sobre o poder de Deus? E concluiu com uma questão paradoxal, para negar a pergunta retórica.
Foi mais ou menos isto:
"Vocês afirmam que Deus é todo poderoso? Então deveria ser capaz de criar uma pedra tão pesada que nem mesmo Ele pudesse levantar." E concluiu com um ar muito confiante: "Logo Deus não é todo poderoso, pois ou não a conseguiria criar ou não a conseguiria levantar"
Dizia-me esse rapaz que gostava de discutir questões profundas. Infelizmente já não me lembro o que lhe respondi, tenho apenas a ideia que desvalorizei a questão para não chamá-lo de estúpido.

Acho que pior do que construir-se um Deus à medida é querer-se impingir esse mesmo Deus. Repara, mesmo quem não acredita em Deus, tem uma ideia de quem Ele é para nós crentes. Mas se até nós cristãos temos muita dificuldade em conhecê-Lo, acabando por ter ideias disformes de um Deus único, que será dos outros?

Para mim este é que é um verdadeiro paradoxo que vale a pena ser discutido:
Imaginamos e acreditamos num Deus à nossa medida para mais facilmente respeitarmos o mandamento de nos tornarmos à medida Dele.
Vou dar-te um exemplo muito inocente. Quando alguém diz ou pensa "Deus castiga!" está inconscientemente a apoderar-se de Deus para as suas necessidades ou desejos (precisamente a ir contra o 2º mandamento). Neste caso concreto, acredita ou deseja que Deus intervenha sobre alguém castigando-a por algo que aquela pessoa considera injusto ou condenável. Provavelmente também porque de outro modo aquela acção nunca seria humanamente julgada.
Sinceramente, penso que nos dias que correm não é preciso andar 10 anos na catequese para rejeitar completamente este pensamento. A verdade é que Deus tão só não castiga, como muito provavelmente o perdoará, ou ainda mais provável, o que aos olhos daquela pessoa é uma acção condenável aos olhos de Deus ou de outras pessoas não passa de uma acção inocente.

Será assim tão difícil deixar de ver Deus como pronto socorro, poço de desejos ou moço de recados e passar a encará-lo como Ele é?

sábado, 3 de outubro de 2009

O que é a inteligência?

Esta é uma questão que não estou habilitado a responder. Então porquê formulá-la? Porque acho uma questão de maior interesse, principalmente porque tenho algumas reservas que possa ser medida pelo QI - Quociente de Inteligência. E a passo a enunciar as minhas razões.

Parece-me estar a tomar uma atitude consensual se afirmar que uma pessoa que tem uma grande capacidade de raciocínio abstracto, de resolução de complexidades, de absorção de informação é uma pessoa inteligente. Por norma, uma pessoa inteligente consegue usar as suas armas neurológicas para encontrar as melhores soluções para os problemas. Mais uma vez, espero estar a ser consensual.

Onde estará então a minha dúvida? Oh, é muito simples. Uma pessoa que não consegue aproveitar o seu conhecimento e discernimento para ser feliz, será inteligente?
Cá para mim, uma pessoa de elevadíssimas capacidades, que apenas usa o intelecto para os seus próprios fins intelectuais, alheando-se dos prazeres da vida, não é inteligente, é estúpida, burra ou doente de uma doença intelectual (por exemplo os workaholics).
Por exemplo, sou muito inteligente, tenho um trabalho que põe à prova diariamente as minhas capacidades, ganho muito dinheiro por ser bom nesse trabalho, trabalho mais de 10 horas por dia 6 dias por semana. Dou o litro, até levo trabalho para casa, tenho muitas responsabilidade que exigem constantemente a minha atenção. Os meus sonhos são chegar a CEO e comprar uma ilha.
Será que esta pessoa é mesmo inteligente? A sua inteligência apenas lhe traz mais trabalho, mais preocupações e menos tempo para tudo o resto. Essa pessoa pode ser profissionalmente realizada mas será seguramente infeliz. O dinheiro compra conforto, não compra paz de espírito nem amizades, não enche o coração. Lamento, mas o meu veredicto é, essa pessoa não é inteligente.
Imagina a oração fúnebre que alguém faria a este indivíduo. Quem teria no seu funeral e o que diriam sobre si? Alguém a choraria de saudade? Valeria a pena ser essa pessoa só pelo dinheiro?

Se uma pessoa dotada de uma grande capacidade de raciocínio e de interpretação, por um lado, não consegue perceber que conforto e abundância de coisas não são felicidade e, por outro, não prevê que este conforto e abundância só lhe trarão mais preocupações, mais relações oportunistas e interesseiras e mais vazio interior e solidão afectiva não pode ser uma pessoa inteligente. Pior, se percebendo tudo isto, opta por esta via, é pior que burro, é um papagaio que repete o que dizem e não tem coragem de pensar por si próprio.
No fundo o que quero dizer é, se a inteligência não desabrochar em sabedoria, para mim, seguramente não é inteligência. É capacidade desperdiçada.

Concluindo, o que é afinal a inteligência? Não consigo dizer exactamente o que é a inteligência, mas acho que fui claro a explicar o que não é!

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Um esclarecimento sobre o ovo e a galinha

O meu post sobre o Ovo e a Galinha, parecendo que não é bastante inocente.
Eu sei que parece que estou a atacar a torto e a direito o Evolucionismo, mas tal não é verdade. Tenho a mesma atitude perante o evolucionismo como tenho perante o Big Bang ou as teorias da Relatividade, etc.
São teorias aceites pela generalidade da comunidade científica e que à luz do nosso conhecimento do universo, melhor explicam aquilo que observamos.
Só tenho uma pequena farpa no dedo perante a forma como o evolucionismo é encarada e gerida pelos cientistas, que é completamente distinta de qualquer outra teoria.
Senão vejamos, já tenho presenciado nos últimos anos algumas notícias que dão conta de novas descobertas que vêm colocar em cheque a ou as teorias de Einstein. Peço desculpa por esta sugestão pouco clara, mas estou a falar de memória, e aquilo que me recordo são dos cabeçalhos dessas notícias. E mesmo sobre a teoria do big bang sei que coexiste com outras menos reconhecidas, embora também não te saiba dizer quais. Qual é a atitude dos cientistas perante estas alternativas? São científicos! Analisam, testam e comprovam a sua autenticidade. Se não for cabal, rejeitam-na, se for demasiado especulativa perante a teoria vigente colocam-na para segundo plano.
Agora, quando estamos a falar do evolucionismo, a palavra teoria quase desaparece. Mas não é isso que me incomoda, mas sim o cerco a que a comunidade científica faz a quem quer fugir do paradigma. É relativamente normal que existindo ameaças ao paradigma, surja um estreitar de posições. A história assim o comprova. Mas a questão é que não há qualquer motivo para a referida teoria estar comprometida por outra mais capaz, porque não existe. O próprio Design Inteligente está a milhas de conseguir alguma notoriedade (pelo menos na Europa). Então para quê tanta asfixia científica ao redor desta teoria? Se não acreditas em mim, vê http://www.youtube.com/watch?v=XUeIgeHdqFA&feature=player_embedded# (é o primeiro de 10 videos que contam a história de académicos tentaram distanciar-se do evolucionismo e depois diz-me se sou eu que estou a exagerar!)
É simplesmente esta atitude que me incomoda, que não permitam aos jovens cientistas imaginar por si próprios alternativas capazes de explicar melhor o universo que o evolucionismo.
Eu sei o porquê deste receio e o porquê da "fé" nesta teoria, mas aí estaria a entrar numa outra guerra, que não é o objecto deste post. Alheando-me destas quezílias, sou a favor do evolucionismo como teoria e não como facto!
Pelo que sei, a teoria ainda tem muitas lacunas, e a forma como hoje está formulada é diferente da formulada por Charles Darwin, julgo que apenas se mantém o princípio base da teoria, sendo a substância muito mais complexa. Existem muitas questões que a teoria ainda não consegue explicar. Gostaria apenas que houvesse sensatez suficiente para as enunciar claramente nos diferentes graus académicos, e assim permitir divagações pelas jovens mentes científicas que ainda não se encontram enredadas no paradigma, em vez de as "atrelar" a esse mesmo paradigma como se as questões em aberto fossem apenas assuntos marginais ou uma questão de tempo.
Mas isso sou eu que raramente compro o que me querem vender por atacado. E tu tens coragem para questionar o que te querem impingir antes de o comprar?

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

O ovo e a galinha

Para quem não sabe, sou economista de formação e se houve coisa que aprendi é que nem sempre existem respostas certas e que a resposta mais acertada depende do paradigma que defendemos. As contendas entre neoliberais e keynesianos é histórica. Parece que na década de 90 os neoliberais usaram as teses de Keynes para atiçar fogueiras enquanto conversavam animadamente sobre as maravilhas do capitalismo e criticavam o excesso de intervencionismo do estado na economia, mas depois viram-se à rasca na última metade da presente década, enquanto os Keynesianos lá levantavam a cabeça e presentemente enxovalham sem dó nem piedade os incautos neoliberais.

Onde quero chegar é que até para grandes questões fundamentais da humanidade é necessário recorrer a paradigmas.
Há pelo rol popular uma questão supostamente sem solução. Um pertenço paradoxo, que se prende com a precedência do ovo perante a galinha ou vice versa.
Num tempo em que o colégio de académicos de todo mundo, apregoa aos sete ventos que o evolucionismo é um facto, que apenas tem como senão a necessidade de ainda ser provado (um pormenor insignificante perante o jeitaço que aquela teoria dá para explicar tudo e mais alguma coisa, que até fazem vista grossa às milhentas teorias e nuances distintas desde a sua formulação, algumas das quais coexistindo pacificamente embora contraditórias), não percebo porque subsiste questão tão essencial ainda sem resposta. É óbvio que quem nasceu primeiro foi o ovo. E perguntas tu, e quem pôs esse ovo? Sei lá, eu não estava lá para ver, mas presumivelmente um antecessor galináceo que desapareceu por ser fraquinho perante o poderio das galinhas. Isto fazendo fé que o evolucionismo se explica através de mutações genéticas de geração para geração. Se houver praí uma teoria evolucionista que diga outra coisa diferente avisa que eu retiro o que disse.
Assim, recorrendo ao paradigma do evolucionismo para responder a esta questão ancestral, torna-se óbvio que primeiro nasceu o ovo, não achas?

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Os partidos políticos

Não há muito tempo atrás, eu ouvia interessadamente alguns debates políticos, embora sem saber muito bem o que distinguia ideologicamente uns dos outros, e votava de acordo com o que mais me agradava ouvir.

Olhando retrospectivamente, apesar de nunca ter votado contrariamente ao meu actual sentido de voto, não obstante a ignorância, considero aquela atitude relativamente grave (pelo menos de acordo com os meus padrões actuais de cidadania e humanismo).

E tu, que vais votar, independentemente de gostares mais da cara do Sócrates ou das saias da Ferreira Leite, sabes em que difere ideologicamente a direita da esquerda?

Se não sabes, eu explico-te de acordo com a minha visão muito parcial. Eis vários cenários muito virtuosos (ironia!) seguidos das reacções do Sr Esquerdo e o Sr Direito:

"Está um sujeito muito andrajoso estatelado no chão, visivelmente drogado, com algumas feridas”

- O Sr Esquerdo passa ao lado. Não é da conta dele, o Estado é que se deve preocupar com estas coisas. Por descargo de consiência liga para o 112 e segue o seu caminho;

- O Sr Direito, pergunta ao violentado o que sucedeu e se precisa de ajuda, se pretende que chame a ambulância ou se consegue ficar bem sozinho.


“O meu filho acabou os estudos e não consegue encontrar um emprego”

- O Sr Esquerdo culpa o Estado porque é este quem permite que os cursos superiores sejam tão desfasados do mundo empresarial e não cria novos empregos para pessoas licenciadas;

- O Sr Direito incentiva o filho a criar o seu próprio trabalho, criar uma empresa, ou a não ter receio de iniciar uma carreira por um trabalho menos qualificado.


“O país está mergulhado numa crise”

- O Sr Esquerdo toma a iniciativa de aumentar a despesa pública, gastando o dinheiro dos contribuintes para incentivar a economia;

- O Sr Direito baixa os impostos, dá incentivos fiscais e intervém para facilitar o acesso ao crédito para que sejam os próprios agentes económicos a investir.


“Os vizinhos do lado não trabalham e vivem com subsídios do Estado”

- O Sr Esquerdo acha bem que o Estado garanta a sobrevivência a toda a gente;

- O Sr Direito acha bem caso os vizinhos estejam incapacitados de trabalhar, ou revolta-se caso os vizinhos não estejam incapacitados.


“A adolescente está grávida. E agora?”

- O Sr Esquerdo acha que a liberdade individual é “sagrada” (coloco aspas a pensar nos comunistas). A rapariga que faça o que quiser;

- O Sr Direito acha que a liberdade social está acima da liberdade individual. Portanto, o Estado deve intervir se a moral social aponta num sentido diferente que a suposta liberdade individual.


“O ordenado do fulano é muito superior ao do cicrano”

- O Sr Esquerdo acha um absurdo! Duas pessoas que desempenham o mesmo tipo de função deviam ter o mesmo rendimento. A igualdade é fundamental;

- O Sr Direito nem quer saber do assunto. A equidade é fundamental. Cada um deve receber de acordo com o seu mérito e não de acordo com o seu estatuto.


E com isto desmascarei logo no meu segundo post a minha identidade política. O próximo será concerteza sobre futebol. Espero ter-te pelo menos despertado alguma curiosidade sobre estas diferenças políticas.

Para mim, pior que ter uma opinião contrária é nem sequer ter opinião quando o assunto é relevante.

E basicamente é isto: não suporto o Bloco de Esquerda (BE), discordo em absoluto com o Partido Comunista embora os identifique (passe a comparação) com as minhas falecidas avós a quem nunca passou pela cabeça que a bíblia deveria ser interpretada (trocando por miúdos, deixem-nos lá estar com as ideias deles que não fazem mal a ninguém), tolero o PS pois é mais centro que esquerda e, obviamente, depois de tanto discurso, tendo para os partidos de centro direita ou direita moderada.


Prevejo que o BE venha a ser ainda alvo de muitos comentários futuros neste blog.


terça-feira, 22 de setembro de 2009

o começo

Sou uma pessoa exigente ao mesmo tempo desleixada.
Apaixonada ao mesmo tempo magoada.
Inteligente ao mesmo tempo ingénua.
Criativa ao mesmo tempo sonhadora.
Optimista, crítica, com valores impregnados e opiniões ponderadas, pensativa, preocupada, fiel, amorosa e radical.
Sou muito mais que palavras. E de tudo quanto sou, nada me pertence.
Demasiado filosófico? Talvez! Pode ser que um dia te explique. Mas foi por aqui que quis começar o meu blog.